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Gestantes devem receber a vacina DTPa para proteger bebê contra coqueluche

Gestantes devem receber a vacina DTPa para proteger bebê contra coqueluche

A coqueluche é uma doença infecciosa aguda, causada por uma bactéria chamada Bordetella pertussis, de rápida proliferação. Ao penetrar no organismo, essa bactéria lesa os tecidos da mucosa do aparelho respiratório. A transmissão ocorre pelo contato direto com indivíduos que têm a bactéria colonizada em sua orofaringe (estes indivíduos podem estar doentes ou apenas serem portadores assintomáticos). A incubação da coqueluche é de 7 a 14 dias, aproximadamente, e a transmissão ocorre a partir dos primeiros sintomas até um mês depois. 

A principal característica da coqueluche é a presença de tosse forte e prolongada,  daí o nome popular de “tosse comprida”. Nos primeiros dias e até duas semanas, os sintomas são inespecíficos e semelhantes aos de uma gripe (febre, tosse leve, coriza, olhos avermelhados e lacrimejantes).

Quando os sintomas iniciais desaparecem surge a tosse típica da doença, descrita COMO “crise” de tosse que dura  alguns minutos, só após passada a “crise” a pessoa consegue respirar normalmente, ou seja, há uma “perda de fôlego, geralmente com um “guincho”, podendo ser acompanhada por vômitos. As “crises” são mais intensas e frequentes a noite.

O quadro clínico é mais grave nos primeiros meses de vida, provocando diminuição da oxigenação do organismo. É muitas vezes necessária a internação, inclusive em unidades de terapia intensiva, pois o risco de morte é real.

A melhor prevenção é o uso precoce da vacina já a partir do segundo mês de vida; em três doses  2, 4 e 6 meses de vida e dois reforços (entre os 15 a 18 meses e entre os 4 a 6 anos).

A vacina protege por cerca de 10 anos e por isso, se faz necessário reforço na adolescência e idade adulta, a cada 10 anos.

A vacina contra a coqueluche está sempre combinada às vacinas do tétano e da difteria, no que chamamos de tríplice bacteriana, que, por sua vez, pode estar combinada a outras vacinas nas chamadas vacinas combinadas, como a tetra, a penta e a hexa.

As vacinas disponíveis que você encontra proteção contra coqueluche são:

  • Tríplice Bacterianas de células inteiras (DTPw) pediátrica, na rede pública, geralmente em associação (vide combinada)
  • Tríplice Bacterianas acelular (DTPa) pediátrica, na rede privada, geralmente em associação (vide combinadas)
  • Tríplice Bacterianas acelular (dTpa) adulto, na rede privada, para reforço a partir dos 4 anos e  para adolescentes e adultos, na rede pública para gestantes e pessoal que trabalha em UTI neonatal

Combinações:

  • Penta de células inteiras – DTPw + Hib + Hepatite B, na rede pública, a partir dos 2 meses
  • Tetra acelular – DTPa + Hib, na rede privada, a partir dos 2 meses
  • Penta acelular – DTPa + Hib + Pólio Injetável, na rede privada, a partir dos 2 meses
  • Hexa acelular – DTPa + Hib + Pólio Injetável + Hepatite B, na rede privada, a partir dos 2 meses
  • dTpa + Polio Injetável, na rede privada para reforço a partir dos 4 anos

As vacinas da rede pública são produzidas a partir da célula inteira da bactéria causadora da coqueluche. Já as da rede privada contêm apenas fragmentos dessa célula e por isso causam menos reações adversas e são chamadas de acelulares.

As vacinas acelulares são menos dolorosas e mais seguras, pois causam menos reações adversas. Além disso, possibilitam a vacinação contra a coqueluche daqueles que apresentaram reação adversa grave à vacina de células inteiras na primeira dose.

A vacinação contra coqueluche é rotina há muitos anos para as crianças. São três doses e dois reforços: aos 2, 4 ,6 e 18 meses e entre 4 e 6 anos de idade. A proteção satisfatória só ocorre após a terceira dose, aos 6 meses de idade, deixando então os bebês em risco até esta idade.

O último reforço é aplicado entre os 4 e 6 anos de idade e mantém a imunidade por cerca de  dez anos. Após este período, a imunidade cai, deixando os adolescentes e adultos suscetíveis, fazendo-se necessário reforço a cada 10 anos.

O adolescente e o adulto, caso contraiam a doença, mesmo apresentando um quadro menos grave ou até sem sintomas estão transmitindo a bactéria e podem contaminar algum bebê com menos de 6 meses, sem proteção adequada e de risco para a doença grave. Daí a importância da vacinação do adulto e dos adolescentes, que têm sido os responsáveis pelo aumento da incidência da coqueluche nos últimos anos, principalmente entre os bebês com menos de 6 meses.

 

A vacinação durante todas as gestações é  recomendada. Independente do tempo transcorrido desde a última dose, a vacina DEVE ser aplicada na gestação, a partir da vigésima semana no esquema de 3 doses, se a gestante recebeu a última dose há mais de 10 anos, se a gestante está com o calendário atualizado deve receber uma dose da vacina  entre 27 e 32 semanas de gestação, para transmissão via placentária de anticorpos para o bebê ainda no útero. 

A vacina está contraindicada em pessoas com:

  • Antecedente de reação anafilática à vacina ou seus componentes;
  • Antecedente de encefalopatia sem causa identificável sete dias após dose anterior de vacina contendo componente para coqueluche

As reações adversas mais comuns são febre e reação local nas primeiras 48 horas (dor, calor, vermelhidão, endurecimento).

Reação adversa mais severa que o esperado ocorre principalmente com a vacina de células inteiras, com febre alta (> 40,5 ºC), tremores ou convulsões e hipotonia (flacidez do tônus muscular) nas primeiras 48 horas após vacinação, choro intenso e persistente por mais de três horas. Estes casos não contraindicam a vacinação mas requerem precauções e cuidados adicionais, sendo especialmente indicada a vacina acelular.

 

Dra. Franciele Norma Minotto
Ginecologia, Obstetrícia e Sexologia
Diretora Técnica da Bem Estar Medicina e Saúde
CRM/MT 5962

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