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O que a vacina contra o Rotavírus tem a ver com alergia alimentar?

O que a vacina contra o Rotavírus tem a ver com alergia alimentar?

O rotavírus é um grave problema de saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a infecção por esse agente é a mais comum causa de diarreia em crianças menores de cinco anos em todo o mundo, sendo responsável por aproximadamente 600 mil mortes por ano e 40% das hospitalizações por gastroenterites.

A vacina contra o rotavírus é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e utilizada em 89 países de todos os continentes em seus calendários de vacinação.

Existem duas vacinas disponíveis:

  • uma monovalente (Rotarix®/GSK), administrada em duas doses, adotada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil desde 2006, e outra,
  • pentavalente (RotaTeq®/Merck), com esquema de três doses, disponível somente na rede privada.

Os eventos adversos mais comuns das vacinas rotavírus são: irritabilidade, febre, vômitos e diarreia, o que pode ser também atribuído às vacinas que são aplicadas simultaneamente no calendário vacinal da criança. Não há diferença nos eventos adversos para os dois tipos de vacinas. O evento adverso mais relatado foi irritabilidade entre todos os grupos e cerca de 10-15% apresentou febre, diarreia e vômitos, todos autolimitados.

Contraindicações e precauções das Vacinas Rotavírus

São contraindicações para a utilização das vacinas rotavírus:

  • Alergia grave em dose prévia
  • Alergia a um dos componentes da vacina
  • Lactentes com suspeita ou diagnóstico de imunodeficiências
  • História prévia de intussuscepção (invaginação intestinal)
  • Malformações intestinais

São consideradas precauções para o uso das vacinas rotavírus:

  • Doença aguda moderada ou grave com ou sem febre
  • Outras imunodeficiências
  • Doenças gastrointestinais (GI) crônicas
  • Malformações congênitas intestinais e urinárias como espinha bífida e extrofia de bexiga

Sobre alergia alimentar
Alergia alimentar é o termo reservado às reações adversas a alimentos consequentes a uma resposta imunológica anômala à ingestão de um determinado alimento.

Segundo o mecanismo imunológico envolvido pode ser classificada em mediada por IgE, não mediada por IgE e mistas o que determina as manifestações clínicas pelas quais a alergia se manifesta.

Embora o trato gastrintestinal (TGI) receba grande quantidade de proteínas alimentares potencialmente alergênicas, a maioria das crianças não desenvolve alergia alimentar. Predisposição genética e uma série de fatores ambientais (epigenética) contribuem para que haja uma quebra da tolerância oral (TO) e consequentemente o aparecimento dos sintomas relacionados.

A TO é definida como um estado de ausência de reatividade local e sistêmica do sistema imunológico quando em contato com antígenos administrados por via oral. A microbiota intestinal exerce importante papel neste processo. A perda da TO é o primeiro passo para o desenvolvimento da alergia alimentar.

Entre os fatores ambientais identificados como fatores de risco para a quebra da TO encontramos: gênero, etnia, presença de polimorfismos genéticos, mudanças na dieta (vitamina D, tipo de gordura, antioxidantes,obesidade), hipótese da higiene (redução de exposição a agentes infecciosos, parasitas, tipo de colonização intestinal), exposição à alérgenos alimentares antes dos 4 meses de vida entre outros.

Os principais alimentos envolvidos na alergia alimentar são: leite de vaca (LV), soja, trigo, ovo, amendoim, peixes e crustáceos. Entre os lactentes (bebês que se alimentam de leite) predomina a alergia às proteínas do leite de vaca (APLV).

As manifestações clínicas da alergia alimentar, como a alergia às proteínas do leite de vaca (APLV), são dependentes do mecanismo imunológico envolvido. As reações mediadas por IgE são de início rápido (urticária, angioedema, vômitos, diarreia, broncoespasmo agudo e choque anafilático), em até duas horas após exposição ao alérgeno. As não mediadas por IgE (possivelmente linfócitos T) geralmente se manifestam com sintomas tardios envolvendo preferencialmente o trato gastrintestinal (coloproctite, proctite ou proctocolite eosinofílica alérgica, enterocolite induzida por proteína e a hemossiderose pulmonar). Alergias mistas decorrem da associação de mecanismo IgE dependente e não IgE dependente. São exemplos: esofagite eosinofílica, a gastroenteropatia eosinofílica, a dermatite atópica e mais raramente, asma.

Associação entre vacina rotavírus e APLV (alergia às proteínas do leite de vaca)
Não há estudos publicados que demonstrem aumento ou desencadeamento de alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) em crianças vacinadas contra o rotavírus. Lactentes que apresentam quadro de alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) com doença diarreica moderada ou grave ou vômitos, devem ter a aplicação da vacina adiada até a recuperação geral.

Pacientes que apresentaram reação alérgica ameaçadora à vida relacionada a algum componente vacinal e aqueles com reação alérgica grave ao látex, não devem receber esta vacina.

Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda o seguinte calendário para a vacina Rotavírus:

  • Vacina rotavírus monovalente RV1 (fornecida pelo SUS): duas doses, idealmente aos 2 e 4 meses de idade.
  • Vacina rotavírus pentavalente RV5 (fornecida na rede privada): três doses, idealmente aos 2, 4 e 6 meses de idade.
  • Para ambas as vacinas, a primeira dose pode ser feita a partir de 6 semanas de vida e no máximo até 3 meses e 15 dias, e a última dose até 7 meses e 29 dias. O intervalo mínimo entre as doses é de 30 dias.

Se a criança cuspir regurgitar ou vomitar após a vacinação não repetir a dose. Não utilizar em crianças hospitalizadas. Em caso de suspeita de imunodeficiência ou Recém Nascidoss cujas mães fizeram uso de imunobiológicos durante a gestação a vacina pode estar contraindicada e seu uso deve ser avaliado pelo médico pediatra.

As Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP) e Alergia e Imunologia (ASBAI) reafirmaram a eficácia e a segurança das vacinas rotavírus e recomendam o uso rotineiro no calendário vacinal da criança, face a grande importância e impacto que a doença tem na saúde infantil.

Fonte: NOTA TÉCNICA CONJUNTA SBIm/ ASBAI / SBP — 08/02/2017 Vacina rotavírus

Dra. Franciele Norma Minotto
Ginecologia, Obstetrícia e Sexologia
Diretora Técnica da Bem Estar Medicina e Saúde
CRM/MT 5962

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