bemestarmed.com.br Quais vacinas são indicadas para crianças de 0 a 10 anos? | Bem Estar Medicina e Saúde

Nosso Blog

Acompanhe as notícias sobre medicina e dicas de saúde para viver em bem estar.

Quais vacinas são indicadas para crianças de 0 a 10 anos?

Quais vacinas são indicadas para crianças de 0 a 10 anos?

Estima-se que isoladamente , as vacinas são as responsáveis nos últimos 2 séculos por um aumento de cerca de 30 anos  em nossa expectativa de vida.

O sarampo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), no ano 2000 teria causado cerca de 30 a 40 milhões de casos no mundo, com 770 mil óbitos. Entre nós, foi sempre a segunda causa de morte por doença infecciosa, perdendo somente para a diarreia. Hoje, graças a vacinação, a maioria dos estudantes de medicina e dos médicos jovens nunca viu um caso de sarampo.

Claro que as vacinas não são totalmente desprovidas de possíveis efeitos adversos, qualquer medicamento ou procedimento médico sempre está e estará sujeito a efeitos indesejáveis. No entanto, os efeitos negativos são incomparavelmente inferiores aos benefícios e geralmente são de pequena monta e facilmente controláveis.

O número de vacinas que uma criança recebia no início da década de 1950  era somente quatro ou cinco, dependendo do país. Hoje, esse número é de aproximadamente  24, felizmente com reduzido número de injeções  devido as vacinas combinadas.

Desse modo, as vacinas indicadas para crianças de 0 a 10 anos listadas abaixo fazem parte do calendário de vacinação adotado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e tem como foco promover a saúde individual, por esse motivo apresenta algumas diferenças em relação ao calendário vacinal da rede pública que visa promover a saúde coletiva.

  1. BCG: contra a tuberculose, indicada ao nascer o mais precoce possível em dose única, em bebês com peso maior ou igual a 2 kg, deve ser observada a formação da cicatriz vacinal.
  2. Hepatite B: aplicar a primeira dose nas primeiras 12 horas de vida, a 2º dose aos 2 meses, 3º dose aos 6 meses. O esquema de 4 doses pode ser adotado quando é utilizada uma vacina combinada  que inclua a hepatite B, ou seja, a primeira dose ao nascer,  com vacina isolada, e aos 2, 4 e 6 meses de idade com vacina combinada hexavalente (DTPa+HB+VIP+Hib).
  3. Tríplice bacteriana (DTPa – difteria, tétano e coqueluche): 1ª dose aos 2 meses de idade; 2ª dose aos 4 meses e 3ª dose aos 6 meses, os reforços são com 15 a 18 meses, 4 a 5 anos e 9 a 10 anos. A vacina DTPa (acelular – disponível na rede privada) é preferível a DTPw (células inteiras – disponível na rede pública), pois os eventos adversos associados com o DTPa são menos frequentes e intenso. Para as idades de 2, 4 e 6 meses há vacinas conjugadas na rede privada com DTPa sendo a hexavalente (DTPa+HB+VIP+Hib) e pentavalente (DTPa+VIP+Hib).
  4. Haemophilus influenzae b:  1ª dose aos 2 meses de idade; 2ª dose aos 4 meses e 3ª dose aos 6 meses,  reforço com 15 a 18 meses.  Para as idades de 2, 4 e 6 meses há vacinas conjugadas na rede privada sendo a hexavalente (DTPa+HB+VIP+Hib) e pentavalente (DTPa+VIP+Hib). A rede pública não oferece o reforço com 15 a 18 meses. 
  5. Poliomielite (vírus inativado – VIP): 1ª dose aos 2 meses de idade; 2ª dose aos 4 meses e 3ª dose aos 6 meses, os reforços são com 15 a 18 meses, 4 a 5 anos. As 3 primeiras doses devem ser realizadas com as vacinas conjugadas, hexavalente (DTPa+HB+VIP+Hib) ou pentavalente (DTPa+VIP+Hib), na rede privada e os reforços realizados nas campanhas de vacinação com Sabin (vacina oral) apenas disponível na rede pública.
  6. Rotavírus: utilizada em 2 a 3 doses conforme o fabricante, na rede pública disponível a vacina monovalente (apenas 1 tipo do vírus)realizada em 2 doses aos 2 e 4 meses de idade. Na rede privada disponível a vacina pentavalente (5 tipos virais) que deve ser utilizada em 3 doses aos 2, 4 e 6 meses de idade. Ambas as vacinas, tanto da rede privada como pública podem ter a primeira dose realizada a partir de 6 semanas de vida até 3 meses e 15 dias e a última doses até 7 meses e 29 dias. O intervalo mínimo entre as doses é de 30 dias.
  7. Pneumocócica conjugada: iniciar o mais precocemente possível no segundo mês de vida, então 1ª dose aos 2 mesesde idade, 2º dose aos 4 meses e 3ª dose aos 6 meses de idade (não oferecida pela rede pública), com reforço aos 12 a 15 meses. A rede pública oferece vacina 10 valente (contra 10 subtipos da bactéria) e a rede privada oferecida a 13 valente (com 13 subtipos da bactéria). Crianças com esquema completo com a Pneumocócica 10 valente (rede pública) podem se beneficiar com uma dose adicional da Pneumocócica 13 valente (rede privada) com o objetivo de ampliar a proteção, respeitando o intervalo mínimo de 2 meses da última dose. 
  8. Meningocócicas conjugadas: duas a 3 doses, depende da vacina utilizada. A rede pública oferece apenas a meningoC em 2 doses aos 3 e 5 meses com reforço entre 12 a 15 meses. Sempre que possível, preferir a vacina meningoACWY, inclusive nos reforços de crianças previamente vacinadas com meningoC, com o objetivo de ampliar a proteção. A vacina meningoACWY-CRM (com nome comercial Menveo), disponível apenas na rede privada, está indicada em 3 doses aos 3, 5 e 7 meses de idade com reforço entre 12 a 15 meses. Crianças que iniciaram a vacinação com a meningoACWY-CRM (Menveo) entre 7 e 23 meses estão indicadas 2 doses, sendo que a segunda deve ser obrigatoriamente aplicada após a idade de 1 ano (mínimo de 2 meses de intervalo entre elas). Iniciando após os 24 meses de idade apenas 1 doses. Iniciando após 12 meses de idade pode-se utilizar a meningoACWY-TT (Nimenrix-GSK) em uma dose. Reforços são necessários a cada 5 anos devido a rápida reduçõa dos títulols de anticorpos protetores.
  9. Meningocócica B: 3 doses aos 3, 5 e 7 meses com reforço entre 12 a 15 meses, vacina disponível apenas na rede privada.  Crianças que iniciam a vacinação entre 6 e 11 meses tem indicação de 2 doses com intervalo de 2 meses entre elas e uma dose de reforço no segundo ano de vida respeitando o intervalo de 2 meses entre as doses. Crianças que iniciam a vacinação entre 12 meses e 10 anos tem indicação de 2 doses com 2 meses de intervalo. 
  10. Influenza (gripe): recomendada para todas as crianças acima de 6 meses de idade. Quando administrada pela primeira vez em crianças menores de 9 anos aplicar 2 doses com intervalo de 30 dias. Crianças menores de 3 anos recebem 0,25 ml por dose e as maiores de 3 anos recebem 0,5 ml/dose. Desde que disponível, a vacina quadrivalente (com 4 tipos de vírus) é preferível à vacina trivalente, por conferir maior cobertura das cepas circulantes. A vacina quadrivalente está disponível apenas na rede privada. 
  11. Febre amarela: 1ª dose aos 9 meses com reforço entre 4 a 5 anos. Recomendada para residentes ou viajantes para áreas endêmicas de acordo com classificação do Ministério da Saúde. Pode ser recomendada também para atender exigências sanitárias de determinadas viagens internacionais; vacinar pelo menos 10 dias antes da viagem. Recomendável que crianças menores de 2 anos não recebam as vacinas de febre amarela e tríplice viral no mesmo dia, indicado 30 dias de intervalo entre elas.
  12. Hepatite A: 1º dose aos 12 meses e reforço com 18 meses. Rede pública oferece em dose única entre 15 e 24 meses. Para crianças não vacinadas para Hepatite B no primiero ano de vida considerar a vacina combinada Hepatite A+Bno esquema de 2 doses (0-6 meses).
  13. Tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba – SRC): é considerada protegida a criança que recebeu 2 doses da vacina a partir de 1 ano de idade, 1ª dose aos 12 meses e 2ª dose entre 15 e 24 meses. Em caso de surto ou exposição domiciliar ao sarampo a primeira dose pode ser aplicada aos 6 meses de idade, nesse caso a aplicação de 2 doses após 1 ano de idade continua sendo necessária.
  14. Varicela (catapora)1ª dose aos 12 meses e 2ª dose entre 15 e 24 meses, é considerada protegida a criança que recebeu 2 doses da vacina a partir de 1 ano de idade, em casos de surto de varicela ou exposição domiciliar pode ser aplicada a partir dos 9 meses de idade, nesse caso a aplicação de 2 doses após 1 ano de idade continua sendo necessária. Aos 12 meses, na mesma visita, aplicar a primeira dose de tríplice viral (SRC) e varicela(V) em administrações separadas  ou com a vacina quadrupla viral (SRCV). A segunda dose, administrada a partir dos 15 meses preferencialmente com a quadrupla viral (mantendo intervalo mínimo de 3 meses com a dose anterior).
  15. HPV: duas vacinas disponíveis no Brasil, a partir de 9 anos de idade, a quadrivalente (HPV 16,18, 6 e 11) e bivalente (HPV 16,18), indicadas no esquema de 3 doses com intervalo de  0 – 1 a 2 meses – 6 meses. A rede pública adotou vacinação no esquema de 2 doses  (0 – 6 meses) exclusivamente para meninas de 9 a 13 anos com a vacina quadrivalente.
  16. Dengue: a partir dos 9 anos de idade no esquema de 3 doses com intervalo de 6 meses entre elas.

Calendário SBIm para crianças de 0 a 10 anos

Dra. Franciele Norma Minotto
Ginecologia, Obstetrícia e Sexologia
Diretora Técnica da Bem Estar Medicina e Saúde
CRM/MT 5962

Bem-Estar-Logotipo-em-PNG_Assinatura

Deixe uma resposta